GUERRA CIVIL NA SÍRIA: ENTENDA

Tempo de leitura: 8 minutos

Ultimamente muito se fala sobre a guerra civil que está ocorrendo na Síria. Mais de 400 mil pessoas foram vítimas, milhões de pessoas foram obrigadas a deixarem suas casas e diversas cidades foram devastadas.

Em meio as notícias relatadas diariamente, com certeza deve haver dúvidas sobre os motivos desse acontecimento e quando essa guerra terá fim.

Acontecimentos desse tipo podem virar história e, até mesmo, ser tristemente lembrado em épocas futuras. Entenda melhor essa situação.

AS MOTIVAÇÕES:

Antes da guerra começar, eram constantes as queixas feitas pelos sírios contra o alto índice de desemprego, corrupção, falta de liberdade política e a repressão causada pelo governo ditatorial do presidente Bashar al-Assad. A família governa o país desde a década de 1970.

Em 2011, na cidade de Daara (sul do país), a força de segurança prendeu e torturou um grupo de jovens após terem pintado mensagens revolucionárias no muro de uma escola. Esse acontecimento levou a população a fazer constantes manifestos, inspirados na Primavera Árabe, a favor de mais liberdade na Síria. Quando as forças de segurança resolveram ir para cima dos ativistas, o que levou a morte de vários deles, mais pessoas decidiram ir às ruas para pedir a saída de Bashar al-Assad da presidência.

Em julho de 2011, os manifestos ganharam força e inúmeros manifestantes saíram as ruas exigindo a saída de al-Assad. Com isso, o governo resolveu sufocar as divergências, fato que só aumentou a determinação dos manifestantes.

Os protestos no país também foram motivados pelas diversas manifestações que se estenderam pelos países árabes a partir de 2010. Os sírios pediam mudanças no governo para que houvesse mais democracia, instituição do pluripartidarismo, aumento de empregos e melhores condições de vida. Em 2012, o conflito chegou a Damasco, a capital, e também a segunda maior cidade do país, Aleppo.

INÍCIO DA GUERRA:

A guerra teve início quando os grupos manifestantes formaram as milícias armadas, que objetivava a defesa dos manifestantes e expulsão do exército de suas regiões.

Para tentar restabelecer o controle do Estado, o governo respondia cada vez mais violentamente a medida que os manifestantes aumentavam. Assad decidiu impor mais repressão na população.

Em meio de defesa e expulsão das forças do exército, as pessoas que eram contra o governo começaram a pegar em armas. Fato que fez a violência aumentar rapidamente. Os grupos rebeldes se uniram em diversas brigadas para combater as forças oficiais e retomar o controle das cidades e vilarejos.

A guerra tomou dimensões que contornou que chegaram aos sunita do país e xiitas alauítas, lado do Islamismo a qual o presidente se identifica. Fato que impulsionou as potências regionais e internacionais entrarem em conflito, consequentemente tomando outra dimensão.

Em junho de 2013 a ONU informou que o número de vítimas chegou a 90 mil.

A GUERRA NA SÍRIA: 

A guerra civil na Síria mobilizou inicialmente a oposição representada pelo Exército Livre da Síria (ELS) contra as tropas do governo sírio. O ELS surgiu a partir da mobilização de civis durante os protestos da Primavera Árabe. Ao se juntar com militares desertores, formaram esse grupo armado que se oficializou em julho de 2011. O ELS é considerado como um grupo de origem secular, ou seja, que não está vinculado a nenhuma tendência religiosa. Representa a ala moderada da oposição.

À medida que o conflitou avançou, outros grupos rebeldes foram surgindo, mas de orientação extremista. O maior desses grupos rebeldes extremistas é a Frente Fateh al-Sham (antiga Frente Al-Nusra), de orientação sunita. Esse grupo, até julho de 2016, era o braço armado da Al-Qaeda na Síria. A desvinculação da Frente Fateh al-Sham da Al-Qaeda, até onde se sabe, aconteceu pacificamente.

A partir de 2014, aproveitando-se da fragilidade da Síria, o antigo braço iraquiano da Al-Qaeda, conhecido como Estado Islâmico, invadiu a Síria e conquistou parte do território. A atuação do Estado Islâmico levou à fundação de um califado na região. O califado é uma espécie de reino islâmico que impõe a sharia (lei islâmica). O Estado Islâmico busca a autonomia total sobre a Síria, portanto, luta contra todos os grupos beligerantes.

A violência trazida pelo Estado Islâmico levou os curdos sírios a se mobilizar em autodefesa. Assim, surgiu a Unidade de Proteção Popular do Curdistão Sírio. A YPG (na sigla em curdo) pertence ao Curdistão Sírio, área do Norte e Nordeste da Síria que está sob controle dos curdos. A YPG também garante a defesa dos curdos sírios do ataque de tropas da Turquia.

Fonte: Historia do Mundo.

POR QUE A GUERRA AINDA NÃO ACABOU?

As potências regionais e internacionais interferem muito nos acontecimentos do país.

O apoio militar, financeiro e político tanto para o governo quanto para a oposição contribui para a continuidade das batalhas. Essa intervenção também é responsável por configurar o sectarismo no que costumava ser um Estado que era imparcial em relação às questões religiosas.

As divisões entre sunitas e alauitas no poder também intensifica as atrocidades dos dois lados.

Grande parte do país ainda está sob o comando de grupos rebeldes e da FDS.

Josephine Guerrero.
Foto por Josephine Guerrero (ONU).

 QUAL É O IMPACTO CAUSADO PELA GUERRA?

O enviado da ONU para a Síria, Steffan de Mistura, estimou que a guerra já matou 400 mil pessoas.

Para a organização Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediada em Londres, até setembro a cifra de mortos passava de 300 mil.

Já o Centro Sírio para Pesquisa de Políticas, outro grupo de estudos, calcula que o conflito já tenha causado a morte de 470 mil pessoas.

Segundo a ONU, até fevereiro de 2016 mais de 4,8 milhões de pessoas haviam fugido do país – a maioria mulheres e crianças.

O êxodo de refugiados, um dos maiores da história recente, colocou sob pressão os países vizinhos – Líbano, Jordânia e Turquia.

Cerca de 10% deles buscam asilo na Europa, provocando divisões entre os países do bloco europeu sobre como dividir essas responsabilidades.

E as estatísticas terríveis não param por aí.

A ONU disse que são necessários US$ 3,2 bilhões para prover ajuda humanitária a 13,5 milhões de pessoas – incluindo seis milhões de crianças – no país.

Cerca de 500 mil pessoas vivem sob o cerco de forças de segurança ou rebeldes.

Além disso, 70% da população não tem acesso a água potável, uma em cada três pessoas não consegue suprir as necessidades alimentares básicas, mais de 2 milhões de crianças não vão à escola e uma em cada cinco indivíduos vive na pobreza.

Fonte: G1

A comunidade internacional decretou que o único meio possível de acabar com a guerra é uma solução política, já que até hoje não houve decisão, acordo de paz ou derrota decisiva entre os participantes da guerra.

O Conselho de Segurança da ONU pediu a implementação do Comunicado de Genebra, adotado em 2012 na cidade suíça, que contempla um governo de transição com amplos poderes executivos “baseado no consentimento mútuo”.

Porém, as negociações de paz de 2014, conhecidas como Genebra 2, foram interrompidas. A ONU responsabilizou o governo sírio por se recusar a discutir as demandas da oposição. Um ano depois, a ascensão do grupo autodenominado Estado Islâmico deu novo ímpeto à busca por uma solução pacífica.

As forças de segurança sírias lançaram uma ofensiva em Aleppo, no norte do país, em meio a fase preparatória para ser posta em prática a sugestão feita pelos EUA e a Rússia, que sugeria que as partes em conflito participassem de “conversas de aproximação” em Genebra, que implementaria o plano da ONU.

Em 2018, as duas superpotências mundiais conseguiram negociar uma interrupção das hostilidades, com a qual os enfrentamentos foram suspensos. A última trégua parcial fracassou dias depois de entrar em vigor, após um ataque letal contra um comboio de ajuda humanitária, no qual morreram 20 civis.

Os EUA culparam a Rússia pelo bombardeio. Moscou negou as acusações.

Para tentar recuperar algumas áreas controladas por extremistas rebeldes em Aleppo, o governo sírio anunciou uma nova ofensiva militar. Após o anúncio, os bombardeios se intensificaram, tornando os ataques mais intensos ainda.

Fonte: G1 – adaptado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *