500 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE E SUAS IMPLICAÇÕES HISTÓRICAS

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Em 31 de outubro de 1517, um monge alemão chamado Martinho Lutero mudava o mundo. Naquele dia, ele afixou as famosas 95 teses nas portas da Igreja do Castelo de Wittenberg, nas quais criticava o comércio de indulgências no seu tempo, dinheiro que seria utilizado na Construção da Basílica de São Pedro, em Roma. Tinha início, então, um dos mais importantes movimentos religiosos do Ocidente, com implicações sociais, políticas e econômicas sem precedentes. E já se vão 500 anos.

Lutero nunca pretendeu promover um racha na Igreja do Ocidente – a cristandade já estava dividida desde 1054, com o Cisma do Oriente, que dividiu católicos e ortodoxos – mas pretendia que a Igreja promovesse um movimento interno de renovação. Estes ventos de Reforma pairavam na Europa desde a Baixa Idade Média, com os movimentos liderados por Savonarola (Itália), Jan Hus (Boêmia) e Inglaterra (John Wicliff), mas o contexto sócio-econômico não era favorável. De modo distinto, no século XVI, com o Capitalismo e o Absolutismo nascentes, por influência de Erasmo de Roterdã e outros humanistas, além do Renascimento Cultural, as condições eram mais propícias.

No aspecto social, a Reforma aproximou o povo das Escrituras, antes reservadas aos clérigos e poucos eruditos, na tradução latina de São Jerônimo, conhecida como Vulgata. Ao traduzir a Bíblia para uma língua moderna, o alemão, Lutero possibilitou o acesso das pessoas comuns ao texto sagrado e, consequentemente, o surgimento de escolas paroquiais que ensinavam o povo a ler. E quem era capaz de ler a Bíblia, poderia ler qualquer texto: textos de Platão, Aristóteles, Maquiavel, e outros, antigos e modernos, o que possibilitou uma renovação cultural na Europa. Isso significa que, a imprensa e o Protestantantismo deram as mãos contra o obscurantismo medieval.

Do lado econômico, figura singular é o franco-suíço João Calvino, sediado em Genebra, onde fundou a Universidade e governou com mão de ferro. De sua pena se estrai a base de sustentação do pensamento burguês, sedento de poder contra a decadente nobreza, em nome do lucro livre (que deixa de ser pecado), da valorização do trabalho como forma de enriquecimento e da livre iniciativa, da liberdade de expressão, de pensamento, de associação, enfim, começa a luta pelos direitos individuais tão duramente cerceados pela Igreja. Nasce aí o pensamento liberal moderno.

E por fim, sob a ótica do poder, muitos reis e príncipes queriam se ver livres do poder do Papa e das garras do Sacro Império Romano-Germànico, nas mãos do espanhol Carlos V. Aqui se destaca a figura de Henrique VIII da Inglaterra, que ao pedir a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão (e não conseguir), por não ter um herdeiro do sexo masculino, proclama a autonomia da Igreja da Inglaterra, declara a si mesmo Chefe da Igreja da Inglaterra, confisca bens da Igreja, prende e condena a morte centenas de religiosos fiéis a Roma, assumindo um caráter claramente absolutista em sua forma de governar, que será herdado principalmente por sua filha Elizabeth I, que consolida o poder real e inicia o processo colonial inglês na América.

Em suma, não se pode considerar a Reforma apenas como um movimento religioso iniciado no interior da Alemanha, mas uma verdadeira revolução, que modificou a cara da Europa do século XVI e promoveu o surgimento de um Novo Mundo, de onde surgiu aquilo que podemos considerar as bases da Europa Moderna. Certamente, Lutero não imaginava os desdobramentos de suas ações, mas nós, que vivemos 500 anos depois, podemos reconhecer que o mundo não teria sido o mesmo sem ele.

 

TEXTO POR: Virgilio Cezar Torres
*Professor de Língua Portuguesa, Literatura, Redação, Filosofia, Sociologia e História da Arte, é docente no Ensino Médio e Cursos Pré-Vestibulares há 25 anos, tendo trabalhado nos maiores Sistemas de Ensino do país. Articulista, blogueiro, teólogo, pianista e poeta. Trabalha com capacitação de professores, palestras e cursos, principalmente na área de Linguagens. Atua como um dos colaboradores do Aplicativo Prova 10.

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