FAMÍLIA: VELHOS PRINCÍPIOS, NOVOS VALORES

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Um dos temas mais polêmicos da atualidade, o conceito de família têm sido alvo de muita discussão. Infelizmente, por conta de um pseudo-conservadorismo, mais traduzível como preconceitos variados, esse pequeno núcleo social, chamado de célula-mater da sociedade, passou e passa por mudanças significativas no decorrer das décadas.

Antigamente, a família brasileira era essencialmente patriarcal, fruto de uma sociedade (ou a sociedade fruto dela?) do engenho, em que o senhor de engenho mandava e todos obedeciam, surgindo a máxima: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Não havia diálogo, era o eterno monólogo do pai que mandava e desmadava, sem se preocupar com anseios, desejos, sonhos da esposa ou dos filhos. O pai era o único provedor, às vezes, o único alfabetizado, era ele quem votava (até Constituição de 1934, somente os homens participavam da vida política do país).

Com o passar dos anos houve uma certa flexibilização. O diálogo foi surgindo aos poucos, a mulher passou a trabalhar fora para ajudar na manutenção do lar (e muitas ainda têm uma dupla jornada), há uma maior participação de todos os entes familiares nas decisões do lar, as mulheres assumiram papéis de destaque na vida social (ocupando, inclusive a presidência da República), enfim, houve avanços.

Porém, apesar dessas mudanças expressivas, o conceito “oficial” de família parece não ter acompanhado as transformações…há um projeto em andamento no Congresso Nacional, do chamado “Estatuto da Família” que define casamento como sendo “a união entre um homem e uma mulher”, excluindo por extensão, do conceito de família, por exemplo, as famílias de pais e/ou mães solteiros, as famílias surgidas das chamadas “produções independentes”, aquelas em que os filhos são criados por avós, tios ou tutores e ainda aquelas surgidas das uniões homoafetivas.

Na sociedade moderna não há mais espaço para conceitos tradicionais de família. Somos uma sociedade plural, apesar dos muitos preconceitos ainda renitentes. Família é um conceito que deve ser bem mais amplificado, levando em consideração muito mais os laços de afetividade do que os laços consanguíneos. E é dever do Estado zelar por todos os seus cidadãos, protegê-los e garantir que todos tenham igualdade de direitos e obrigações.

Portanto, projetos como esse, infelizmente, andam na contramão da História e dos Direitos Humanos. Somente mentes e corações abertos vão valorizar a família e garantir sua proteção legal e sua estabilidade jurídica.

TEXTO POR: Virgilio Cezar Torres

*Professor de Língua Portuguesa, Literatura, Redação, Filosofia, Sociologia e História da Arte, é docente no Ensino Médio e Cursos Pré-Vestibulares há 25 anos, tendo trabalhado nos maiores Sistemas de Ensino do país. Articulista, blogueiro, teólogo, pianista e poeta. Trabalha com capacitação de professores, palestras e cursos, principalmente na área de Linguagens. Atua como um dos colaboradores do Aplicativo Prova10

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